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Efeito de flutuação de texto ...:::JOÃO VITHOR E NICOLE:::...
Fórmulas especiais gratuíta é um direito da criança.
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domingo, 16 de fevereiro de 2025

"Inclusão ou Exclusão? Os Desafios Reais de Ser Autista em um Mundo Pouco Preparado"








 Falamos tanto em inclusão que, às vezes, parece que todas as dificuldades relacionadas ao autismo foram extintas. Mas uma dúvida me vem à mente: será que os profissionais que lidam com autistas realmente sabem como agir com eles?

Muitos conhecem a teoria sobre o que é o autismo, mas compreender os desafios vividos por nós, autistas, é algo que só nós realmente sabemos.

Independentemente do nível de suporte, todos os autistas enfrentam dificuldades para se inserir na sociedade. O autista com nível 3 de suporte tem constantemente sua capacidade de sentir e evoluir colocada em dúvida, recebendo olhares de pena que, em vez de respeito e acolhimento, reforçam estereótipos. Já o autista com nível 1 ou 2, embora consiga se comunicar verbalmente e, muitas vezes, não precise de assistência constante, ainda espera a validação da sociedade para seu diagnóstico. Ele enfrenta olhares críticos de quem não entende que, mesmo verbalizando, ainda possui limitações – além de carregar rótulos que o diagnóstico não conseguiu eliminar.

Autistas são sempre questionados: ora sobre sua capacidade, ora sobre a legitimidade de seu diagnóstico.

Outra grande dificuldade é a expectativa de que o autista não possa crescer. À medida que saímos da infância, parece que somos obrigados a agir como pessoas "normais", como se nossas particularidades desaparecessem com o tempo.

Essas situações não ocorrem apenas nas escolas, shoppings ou dentro da própria família. Elas também acontecem dentro da comunidade autista e até em clínicas especializadas no atendimento de autistas.

Recentemente, passamos por situações que reforçaram esses sentimentos em mim.


hematoma após crise
Em uma clínica onde Nicole faz terapia, enfrentamos um episódio difícil. A Unimed impôs a exigência de biometria facial, e a recepção da clínica não estava preparada para lidar com autistas de diferentes idades e níveis de suporte. Como resultado, a situação gerou um grande desgaste. Nicole não aceitou tirar a foto, pois considerou que não era necessário (devido à sua rigidez cognitiva) e, mesmo após várias tentativas, continuou se recusando. A falta de acolhimento da recepcionista agravou a situação, tornando Nicole ainda mais agitada. Em um momento de frustração, ela xingou a atendente, chamando-a de "olho torto", uma referência ao olhar de desprezo que sentiu.

A atendente, em vez de lidar com a situação com empatia, levantou-se de imediato e, num tom desafiador, questionou do que estava sendo chamada, demonstrando total despreparo para lidar com a rigidez cognitiva de Nicole. Diante disso, Nicole chorou, tentou sair correndo, mas a porta estava fechada. Em desespero, começou a bater na porta e a se autoagredir. 



Fui até a Unimed relatar que essa exigência colocava a segurança da minha filha em risco. Somente então informaram que a biometria facial não era obrigatória.

Infelizmente, como não consegui todas as terapias na mesma clínica, os atendimentos são divididos entre diferentes locais. Mais recentemente, passamos por outra situação decepcionante.

Durante uma sessão de psicomotricidade, o profissional estava com cefaleia e optou por fazer uma sessão mais leve. Para isso, juntou Nicole com outra paciente atendida por outra terapeuta. Nesse dia, Nicole havia levado suas maquiagens para mostrar à psicóloga, e decidiram fazer uma atividade de maquiagem entre as duas meninas.

Em determinado momento, a outra menina derrubou uma maquiagem de Nicole. Ao final da sessão, minha filha me contou que, na verdade, a terapia não aconteceu, pois passaram o tempo todo apenas se maquiando. Além disso, ela se sentiu frustrada porque seu produto caiu e que, ao expressar seu descontentamento, apenas riram, sem que houvesse um pedido de desculpas.

Uma mãe lutando: é isso que sou todos os dias!

Naquele momento, fui até a recepção e informei que gostaria de ser avisada caso o profissional não estivesse em condições de atender. Afinal, eu assino uma guia de psicomotricidade, não de maquiagem. Também procurei a terapeuta responsável pela outra garota e solicitei a reposição do produto perdido, pois a menina estava sob sua supervisão. Além disso, questionei a clínica sobre a falta de comunicação, já que dois fatos exigiam que eu fosse informada: a não realização da terapia e o dano ocorrido durante a atividade. Ambas estavam sob a supervisão dos profissionais da clínica, e era responsabilidade deles garantir que tudo ocorresse de maneira adequada.

Desde o primeiro momento, durante a anamnese, informei que também sou autista e que tenho dificuldades em ambientes ruidosos. Naquele dia, já estava na clínica há mais de uma hora, em um local barulhento, com muito estímulo sensorial.

A mãe da outra menina ficou ofendida, e o terapeuta veio até mim em tom alto, interrompendo-me, sem me deixar falar. Ele tentou colocar a culpa em Nicole, argumentando que ela deixou o produto aberto. Mas o fato é que ele não teria caído se a outra menina não o tivesse retirado do lugar sem pedir. No meio desse caos, a mãe da outra paciente disse, com desprezo, que a filha dela não deveria "se misturar com essa gentinha", referindo-se a nós.

No dia seguinte, o atendimento foi hostil. Durante toda a sessão de fisioterapia, percebi que tratavam Nicole de maneira fria e distante. Diante dessa situação, pedi a troca de profissional. Para completar o desgosto, a terapeuta se recusou a atender Nicole, em um ato de apoio aos colegas

Como uma clínica voltada para autistas não consegue conduzir uma situação como essa? Nicole e eu somos autistas e também temos TDAH. Temos um julgamento rígido sobre certos temas e, naquele momento, estávamos lidando com uma frustração extrema, sem conseguir regular nossas emoções. Estávamos diante de uma sobrecarga sensorial: uma recepção ruidosa, várias lâmpadas acesas e duas piscando, prestes a queimar. E, ainda assim, eu segui agindo como mãe, lutando para proteger os direitos da minha filha.

Para aquela equipe de fisioterapeutas e para aquela mãe, somos apenas "a gentinha". Mas somos a "gentinha" que sai de casa todos os dias para que Nicole possa fazer suas terapias. Só eu sei o quanto fico esgotada de permanecer em um ambiente onde crianças gritam, batem palmas sem parar e muitas pessoas falam ao mesmo tempo.

Não quero que o autismo seja uma muleta. Mas também não quero que ele seja ignorado. Não fiz nada que considero errado. Se fosse Nicole quem tivesse causado o prejuízo, eu me desculparia e ressarciria a outra pessoa. O que eu quero é que os profissionais que atendem crianças autistas compreendam que elas vão crescer. E que, diante de gatilhos, podem reagir de maneira mais primitiva, expressando suas emoções sem filtros.

Mas, sem compreensão, sem acolhimento e com o rótulo de "gentinha", seguimos em frente.

E quando eu penso que a situação não poderia ficar mais desgastante, surge mais um obstáculo.

Nesta sexta-feira, o médico dono da clínica me abordou na recepção e me levou para um consultório, acompanhado da administradora da clínica e de uma terapeuta. Lá, ele informou que a biometria facial seria obrigatória para a realização das terapias. Respondi que isso seria um problema, especialmente depois do ocorrido na sessão de psicomotricidade.

Ele insistiu, afirmando que os profissionais não seriam pagos sem a foto de Nicole. Questionei sobre o e-mail que recebi da ouvidoria informando que a biometria não era obrigatória, mas ele continuou pressionando.

De repente, ouvi murros na porta. No mesmo instante, soube que era Nicole. Ela ficou nervosa porque ele me separou dela e já estava agitada antes mesmo da minha entrada no consultório. A técnica de enfermagem tentava contê-la, mas a situação rapidamente saiu do controle. O médico tentou falar com ela, mas Nicole gritou e saiu correndo em direção à rua.

Nesse momento, lembrei aos três profissionais presentes que qualquer dano causado pela insistência na biometria seria responsabilidade da clínica. Nicole tem resistência a essa exigência, e as tentativas de forçá-la resultam em crises que podem trazer sérios riscos à sua saúde. Ela tem osteoporose, faz uso de anticoagulantes, tem um cateter central e uma gastrostomia – todos eles suscetíveis a complicações graves caso sejam removidos abruptamente durante uma fuga ou tentativa de contenção.

É doloroso pensar que tudo isso aconteceu em um ambiente que deveria estar preparado para lidar com autistas. Se isso ocorre em um local especializado, o que esperar do resto do mundo?

sábado, 30 de janeiro de 2021

Diagnósticos parte 2

Hoje optei em falar sobre a parte neurológica da Nicole e as nossas dificuldades no manejo dessa condição com relação a profissionais e as outras pessoas  em diversas situações.

 Há uns anos a Nicole recebeu o  diagnóstico de regressão neurológica e posteriormente de TEA.  Há principio era tudo muito tranquilo e a gente ouve, acredita, percebe mas ainda assim parece não digerir por completo o diagnóstico. Ela era menor, as expectativas em cima do tempo de vida da Ni eram muito poucas e mesmo não aceitando que poderíamos perde-la a qualquer momento, não tivemos tempo de imaginar como seria o futuro, o desenvolvimento, a chegada da adolescência numa criança com tal condição e talvez por isso só mais para frente sentimos o impacto do diagnóstico.

Para muitos pais, o diagnóstico gera um luto, a perda da criança perfeita para uma com limitações. A morte de todos os sonhos para o filho diante da incerteza de suas capacidades, trazida pela condição neurológica. Mas isso não aconteceu comigo, pode ter acontecido com o Roger, na verdade não sei, nunca tivemos essa conversa, não tivemos esse momento. Não senti esse luto pelos motivos de já ter perdido o João Vithor, e eu o queria de qualquer jeito, mesmo com sequelas, só queria o meu filho. Também pela fato de estar sempre em alerta quanto aos riscos de morte, sempre ouvindo dos médicos que não saberiam quanto tempo ela teria, que estivéssemos preparados para perde-la, que era melhor a gente ficar com ela no quarto e não na UTI, para aproveitarmos o tempo com ela. Enfim, ela entrou num tratamento paliativo pois os médicos não acreditaram que ela iria superar outra infeção. Ouvi isso durante uma sepse por uma bactéria resistente, ouvi durante uma fungemia e ouvi durante a chicungunha e voltei a ouvir o ano passado mas nem considero mais. Por ter passado tanto tempo nessa incerteza, percebi que a gente só perde um filho quando ele morre, e que sonhos podem ser mudados e que há várias formas de se realizar um sonho.

Desde 2019 a Nicole tem nos surpreendido estando mais estável. Depois de termos iniciado o tratamento certo, com medicamentos e a dieta cetogênica, falarei em outra postagem, que foi primordial para esse progresso, houve então um aumento da expectativa de vida e diante disso foi solicitado o acompanhamento psicopedagógico e também a terapia comportamental, acho que agora já podemos pensar num futuro. Além das duas terapia faladas acima, ela também faz fisioterapia motora, respiratória e urológica, fisioterapia ortóptica, fonoterapia e terapia ocupacional, além de ter aulas escolares em domicílio, esse também será tema de outra postagem. 

Geralmente, os profissionais das terapias citadas, os profissionais da ambulância e as técnicas de enfermagem são o máximo de pessoas que lidamos durante os dias, exceto alguma outra pessoa que esteja numa mesma recepção de consultório. E então é normalmente nesse convívio que eu sinto as dificuldades da Nicole. Ela está em terapias há anos com alguns profissionais, o mesmo durante anos e até hoje é uma luta para que ela inicie alguma atividade. Outros foram trocados e nesses casos a luta é dobrada. 

Algumas pessoas falam, "nossa, ela nem parece ter TEA'' ou ''nem dá para perceber que ela tem um atraso'', porém quando  a pessoa tenta toca-la, ou pegar algo que ela goste muito, como a coleção de canetas, e ela reagem com grito, choro ou tapas, logo a pessoa se assusta e acha que é falta de educação. Ni já tem 13 anos, uma mocinha, repete tudo que falamos e imita algumas situações e ao primeiro contato, se ela estive de bom humor, a pessoa se encanta, mas quando ela começa oscila o humor, que é frequente logo o encanto acaba. As pessoas pensam que, por ter regressão neurológica e o TEA, ela não deveria falar ou andar, mas isso é devido a falta de conhecimento de muitos. Nem todos são iguais, cada um vai ser afetado de um modo pela mesma condição. Quando as pessoas passam a conviver com a Ni conseguem perceber as duas condições. Não irei me referir ao TEA como doença, pois não é, e nem a regressão neurológica,  por isso irei me referir a eles como condições. 

Embora já esteja na adolescência ela adora brincar de bonecas, gosta do bibi ( chupeta) e tem reações tão primárias como por exemplo, ter que deitar com ela para ela dormir, ou colo para acalmar. Ela requer atenção 24h e precisa ser instruída quanto a tudo. É necessário que seja colocada no banho, para escovar dentes e que lembremos ela de fazer xixi, e para tudo isso há choro e resistência. Ela ainda não entrou na puberdade e de certa forma isso é bom,  já que ela não tem consegue fazer sua higiene sozinha e também resiste muito. 

Muitos profissionais não entendem e não tem paciência para lidar com ela devido ao rituais necessários antes de iniciar qualquer coisa e também pela rigidez com que ela lida com determinados assuntos e situações. Muitas vezes fico advertindo as técnicas e ao Roger sobre certas conversas, pois sei que irar confundi-la e trazer sofrimento desnecessário, tem assuntos que precisam do momento certo, com tempo e muita paciência, devido a rigidez com que ela encara as coisas. 

Outra situação que tem nos desgastado muito é o ''fazer amizades''. Ela tenta, mas ela prefere brincar com crianças menores e acaba perdendo o interesse nas maiores. As vezes ela não consegue acompanhar as maiores, devido aos gostos e principalmente porque ela gosta de conduzir, tipo, numa brincadeira de bonecas, ela vai ditando o que a outra criança faz e fala, logo a criança vai embora. Quanto as menores, ela faz como se fossem bonecas mas se forem barulhentas ela se afasta.

Nicole também tem vários tiques e eles atrapalham muito. Eles  são intensos que a machucam ou causam dor. Ela perdeu duas unhas do pé por conta de um tique. Ficou com o dedo da mão inchado de tanto ficar mexendo, tem outros e todos trazem prejuízos ao físico, além de atrair olhares curiosos. Uma situação semelhante ao filme " O primeiro da classe''.

Gostaria de ter explicado melhor sobre o tema mas juro, estou desde cedo, tentando escrever esse texto, que imagino está confuso, mas hoje é plantão da técnica de enfermagem Larisse e ela não para de falar comigo e na minha cabeça,  deixando minha atenção ficou divida.  Uma mente TDAH associado a uma Larisse...., é complicado rsrs. 


domingo, 24 de janeiro de 2021

Diagnósticos, diagnósticos e o diagnóstico...

 


Estive pensando se compartilhava ou não o motivo de ter me ausentado do blog, e por ter decido finaliza-lo, porém ainda não me sinto confortável para falar sobre. Então irei falar sobre fatos que ocorreram durante essa ausência e sobre acontecimentos recentes.

Para iniciar essa atualização de informações irei discorrer sobre o diagnóstico da Nicole, que é algo que as pessoas me perguntam muito. O diagnóstico dela é algo muito complexo e por mais que saibamos que tipo de problema ela tem ainda falta informações, mas isso não impede dela ter um tratamento; tratamento esse que está dando mais qualidade de vida para ela e aumentando sua expectativa de vida.

No inicio a Nicole foi diagnosticada com alergia alimentar grave que com o passar dos anos e com a morte do João Vithor, foi questionada. Num primeiro momento fizemos um exoma com o resultado de Deficiência de enteroquinase que após entrar com o tratamento não obtivemos resultados positivos. Então foi quando fomos para Brasilia, com uma equipe de doenças metabólicas. No inicio tiveram a suspeita de um Defeito no  ciclo da uréia, devido a elevação da amônia. Depois ela apresentou alguns exames com aumento de leucina, isoleucina e valina que fizeram pensar em Leucinose ou Doença do xarope de bordo. Fizemos novo exoma buscando genes ligados a leucinose e o resultado foi negativo, porém o laboratório informou terem visto algo relacionado a doença mitocondrial e para tal aprofundamento no exame precisaríamos pagar outra quantia, como não tínhamos o exame não foi feito. 

Nicole não respondia aos tratamentos para essas doenças e juntos a elevação da amônia, elevação de alguns aminoácidos ela também faz alteração de glicemia, sendo diagnosticada com diabetes tipo 1. Apresenta também acúmulo de ferro no sangue que até foi investigado hemocromatose. Logo descobrimos que ela tem uma surdez profunda unilateral. Também foi diagnosticada com tireoidite de hashimoto, mas não tem hipotiroidismo ou hipertiroidismo, apenas apresenta anticorpos contra a tireoide.Ela tinha uma anemia persistente, trombose e muitas infecções graves. Também recebeu o diagnóstico de imunodeficiência e logo veio os diagnósticos relacionados a parte neurológica ( falarei em outra postagem). Todo esse quadro, todas as comorbidades citadas e outras não citadas sugeriam um quadro de uma doença mitocondrial.

Através de uma outra mãe que também estava em investigação do quadro de sua filha, conhecemos uma médica que mora em outro país e essa médica após uma consulta (on-line) pediu para que enviássemos os dois exomas para serem revisados lá nesse outro país, assim fizemos. Enquanto aguardávamos o resultados Nicole foi diagnosticada com Chicungunha e ficou gravíssima na UTI fotos. Desesperada entrei em contato com a médica perguntando sobre a revisão dos exomas e diante da situação ela conseguiu apressar os resultado e logo ela nos procurou para apresenta-los. 

Na revisão dos dois exomas foi encontrado a Deficiência de G6PD e genes de doenças mitocondriais. O gene alterado é associado a umas três patologias e a conclusão então é de uma doença mitocondrial específica mas que teríamos que fazer um outro exame, no caso também em nós pais, para concluir qual. O plano de saúde negou a cobertura dos exames assim como negou a cobertura dos exomas. Nós não tivemos como arcar com os custos de mais exames, com tudo os médicos instalaram o tratamento para doença mitocondrial, também fizemos as restrições da Deficiência de G6PD , mantivemos o uso da imunoglubulinas e iniciamos uma dieta específica, a DIETA CETOGÊNICA, que foi muito importante para a resposta dela aos vários tratamentos associados. Depois de tudo isso e depois de muitos anos, Nicole respondeu ao tratamento de forma positiva. 



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Xixi na cama

  Xixi na cama! Toda mãe sabe como é difícil ensinar os pequenos a usarem o vaso e sofrem com as escapadas durante a noite. Aqui não foi diferente, Nicole usou fraldas bastante tempo durante o dia e mais tempo ainda durante a noite, por volta de 5 a 6 anos ela deixou de usa-las para dormir. Mesmo havendo deixado de usar durante o dia ela diante de uma bronca, medo ou algo que deixasse ela nervosa , acabava urinando na roupa e isso até então considerava normal.
  Durante as internações sempre coloco fraldas para dormir, por estar em um hospital , excesso de líquidos, duas bombas buzinando  por qualquer mexida, etc... Enfim, ela sempre usava esporadicamente, também quando vamos em algum lugar com dificuldades de banheiro. Até ai, pra mim também parece normal.
   Porém já tem um tempo que ela vem tendo as escapadas durante a noite, todas as noites e algumas vezes escapou durante o sono da tarde e o fato de ter que acordar por volta das 2h ou 3h da madrugada e trocar de roupa, forrar cama é complicado. Diante disso optamos pela volta das fraldas a noite. Não sei se fiz o certo mas é difícil pra mim  a rotina dela, então tento ''facilitar'' algumas coisas. Sei que ela já caminha aos 9 anos, imagino que a puberdade está logo ali e fico pensando, será que apesar da grande demonstração de maturidade que ela tem, será que ela não está também imatura? É confuso...
Não quero pressiona-la mas também não quero ser negligente nem omissa quanto a esse processo. Lembrando que ela toma dieta durante toda a noite(11h até 6h), 200 ml,cerca de 28 ml por hora. E durante o dia ela ingere cerca de 800 ml de fórmula, água a ingesta é mínima e não acho que ela tenha uma grande quantidade de líquidos durante o dia e noite. Vamos observando....

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Iniciando 2016

    Primeira postagem de 2016, iniciando o ano com novidades, umas boas e outras nem tanto mas o alvo fica sempre  à frente por isso só podemos seguir e nunca retornar, a vida não permite voltar e consertar os erros lá de trás por isso procuro fazer o melhor agora para ter um futuro mais seguro ; principalmente tudo que é relacionado a minha preciosa. Quando ela crescer quero que ela perceba todo cuidado e esforço em prol de sua saúde, que ela sinta que as dificuldades não foram empecilhos para seguirmos e que também não seja , no futuro, uma desculpa para ela parar.
   Em determinadas situações fico pensando nas minhas atitudes diante das pessoas com a qual lido frequentemente, geralmente o plano de saúde e seus colaboradores. Todos estamos sujeitos a erros , fato, mas o que algumas pessoas talvez não entenda é que, o laboratório erra uma vez, o enfermeiro outra, a recepcionista outra e com isso, setores diferentes, pessoas diferentes erram com a mesma situação e pra mim acaba chegando como "mais um" erro e junto vem o desgaste e por isso fica difícil pra mim, lidar com os erros.

    Terça-feira Nicole foi tomar novamente a imunoglobulina, na vez anterior teve o incidente com o enfermeiro que delegou a função dele a um técnico de enfermagem, sendo que a mesma só pode ser feito pelo médico ou enfermeiro, além de quererem fazer usando um luva de procedimento quando o certo é usar luvas estéril. Chegando á clínica eis que só tinha o enfermeiro em questão para puncionar o cateter e lá veio encrenca. Solicitei á clinica outra pessoa e as caras não foram as melhores mas resumindo, a médica responsável pela clínica fez a punção e problema solucionado. Sim, ficou tudo ok, mas lá no fundo não gosto de fazer isso, expor de forma negativa outra pessoa, apontando o seu erro para os colegas, não gosto mas também não gosto de saber, da boca da médica, que o enfermeiro é capacitado para o procedimento e competente mas , talvez preguiça(?), passou sua obrigação a um terceiro não capacitado e sem respaldo legal para fazer. Essas questões me intrigam.

Voltando a Nicole, teve uma melhora da diarreia, e descobrimos que o causador era nada mais que o SORBITOL, presente em todas as medicações manipuladas(dela). A descoberta ocorreu de forma irônica, ela após receber alta iniciou vômitos e seguia com diarreia, então a gastro pediu para parar todos os remédios, quase infartei mas obedeci e logo ela melhorou. Melhorou e deixou a pulga atrás da orelha, por que os remédios faziam mal?? Então, estou no sofá vendo Dr. House e no episódio um homem queixava de diarreia após parar de fumar e o cinismo de House ao declarar o real problema, o chiclete que o rapaz mascava para controlar a vontade de fumar, cheio de sorbitol, eis que foi uma resposta ao enigma. Falei com a médica que também concordou, inclusive a geneticista e nutricionista que anteriormente ficaram horrorizada ao ouvir que as medicações a deixavam mal.            

   Depois passamos a manipular os remédios em outra farmácia, sem o sorbitol e outros proibidos e ela tem estado bem, sem diarreia, evacua umas 4 a 5 vezes mas não tem trazido prejuízos. 
Sem a diarreia e os vômitos a amônia controlou, tem mantido um valor que também não traz danos a ela, com isso evoluímos a dieta o que foi uma grande conquista. Teve ganho de peso porém sem ganho estatural.Tivemos uma melhora relativa do quadro e embora tenha ganhado peso ainda está abaixo do peso para idade , ainda desnutrida.

   Apesar da conquista ainda tem coisas nos preocupando quanto a saúde dela. Nicole está há quase 2 anos sem crescer e, na tentativa de saber o motivo das hipoglicemias acabamos descobrindo que ela possui uma deficiência do hormônio do crescimento e vai precisar usa-lo e eis outro problema, o hormônio é de preço elevado mas é doado pelo Estado MAS...para isso  preciso de apresentar 2 exames, feito com estimulo de insulina ou outra medicação e esse exame descompensou totalmente a Nicole, sendo inseguro repetir o mesmo. A médica endocrino só irá fazer a solicitação ao Estado com os 2 exames, mesmo explicando os riscos para ela, nem quis ouvir, dentro da sua razão ela já me negou o direito de tentar ganhar a medicação , respeitando os limites do organismo da minha filha. Ela chegou a realizar um exame e após este primeiro apresentou novamente os espasmos já estavam controlados.

   Além da estatura Nic está perdendo os cabelos e isso nos preocupada, era tão cabeluda e agora o cabelo já ralinho com umas falhas já perceptíveis. Levei a dermatologista e ela colheu uns fios para exame, na próxima consulta vai dizer o resultado do exame (tricograma) e passou um remédio para passar na cabeça até a próxima consulta. Hoje a sugestão foi para cortar bem curtinho o cabelo dela e dá uma dor no coração, embora saiba que cabelo cresce novamente, sinto a dor de ver minha filha refém de uma situação.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Inocência

   Tenho uma filha de 8 anos que embora muito madura é pura inocência. Ela acredita em um mundo melhor, em fada do dente e papai Noel e isso demonstra sua pureza ao olhar pra vida. Certo dia ela ouviu do primo que papai Noel não existe, assustada ela olhou em meus olhos procurando uma  resposta; diante do silêncio ela perguntou já afirmando que aquilo era mentira, e no dia anterior ela iniciara sua cartinha ao velho Noel.
Outro dia ela perguntou se quando eu era criança , se minha mãe guardava meus dentes para a fada do dente, respondi que não e ela toda comovida desejou que meus dentes caísse para ela guarda-los para a fada do dente, é lindo embora trágico pra mim, perder meus dentes agora kkkk.
   Essa inocência toda tem horas que nos coloca em ''apuros'' e é tão difícil chama-la para a realidade, uma realidade cruel e dura muita das vezes.
   Quando digo que minha preciosa é uma mistura de inocência com maturidade , podem acreditar, ela consegue unir as duas características e um ser tão pequeno fisicamente.  Semana passada ela perguntou  qual era o dia do aniversário de Deus. Na hora não entendi e disse a ela que Deus não fazia aniversário e ela perdendo a paciência retruca:
 _ Por acaso é dia 25 de dezembro né??? O aniversário de Jesus é o natal.
   Então entendi que embora acredite em papai Noel ela sabe o significado do natal, ela sabe que é o aniversário de Deus/Jesus.  Que bom seria se todos mantivéssemos em nossos corações a pureza de uma criança, bom seria poder ver o mundo e o próximo pelos olhos de nossos filhos. Olho para ela e tenho esperanças de  sermos melhores, olho o exemplo deixado pelo João e os ensinamentos da Nicole e sei que podemos ser melhores a cada dia. Ela não pode ''comer'' mas faz questão de dar comida, seja para quem for e tem momentos que tenho que para-la, pois nem todo mundo que vem aqui em casa está com fome, ou tem o mesmo paladar que nós.
   Outra situação que mostra sua pureza e maturidade foi a que ocorreu hoje pela manhã. Ela brincava com sua boneca, com asas e chegou até mim e disse que era uma fada, pra eu fazer um desejo; sorri e disse que queria ser rica e ela disse que não, que riqueza é ruim , ela nos deixa sem amigos.... sozinhos! Estou a pensar...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sobre a sonda

   Muita gente indaga sobre quando a Nicole vai tirar a gastrostomia, ficam com '' dó'' e acham que  ela talvez sofra com o adereço. Sempre explico que quando ela estiver aceitando melhor por via oral talvez possamos tirar mas enfim, o que as pessoas não sabem é que ela é muito , muito ruim pra comer. Ela usa a sonda para tomar o msudB com malto e calongen, 5x ao dia. Sem a sonda ela não tomaria nenhuma. Ela toma 5 mamadeiras de neocate ( 5g de pó + 100ml de água) e até gosta, mas, nem sempre toma, ela gosta do neocate se fosse pra comparar msud com neocate mas não mama tão bem, muitas vezes sobre ameaça e outros tenho que tirar da mamadeira e por na sonda. Sobre as mamadeiras, ela só toma se for na mamadeira nuk de bico ortodôntico +6 meses, se for o maior de 12 meses ou se for bico redondo ou se for kuka ou mam ou mamadeira grossa ela não toma. Aceitamos todo o capricho para , de acordo com a médica, estimular que ela use a boca o máximo possível.    Água é outro dilema, só toma depois que a médica quebrou o pau com ela e internou por desidratação e infecção de urina. Ela pode suco de caixinha, pode até guaraná mas não toma!!! Pode balas, pirulitos e chiclete mas não gosta, coloca na boca por 10 segundos e já tira. Já tentei, já achei que era adaptação, já pensei que fosse o sabor, já cogitamos várias hipóteses mas ela parece não gostar muito das coisas e o mais incrível, queixa fome o tempo todo. Penso que a fome seja no psicológico dela.
   Semana passada, na quinta-feira, tentamos o polvilho, derivado da mandioca. O primeiro dia comeu biscoito de polvilho e amou! No primeiro já internou por causa da amônia mas sem ligação com o biscoito de polvilho (feito apenas com água,óleo e sal). No hospital, na sexta-feira, fizeram o biscoito e ela comeu bem. No sábado pediu o biscoito, todos feito no dia bem fresquinho, mordeu e começou a oferecer para o pai, avó, prima e deu uma mordida e não quis mais. Então veio diarreia e dor na barriga, assaduras e nesse dia a dieta que foi passada ao meio dia, teve que ser retirada, deixando a sonda aberta, as 15h pois não foi absorvida/digerida. Irritada e chorosa passou o sábado. No domingo ela pediu novamente o biscoito, fiz e ela deu uma mordida e já deixou pra lá. Por conta dessa tentativa não quis mamar o neocate no sábado e domingo. Agora imaginem se estivéssemos sem a sonda??? Seria uma internação atrás da outra com certeza e por motivo de falta de comer ou beber. 
   Todas tentativas de dar comida tem sido assim, 3 dias amando e depois rejeita por motivos bobos. Antes achava que era erro meu ao preparar o alimento mas tenho visto que não, parece que ela perde o interesse na comida e mesmo assim fica reclamando fome. 
   Enfim, a mandioca e derivados não vão bem e nunca foram tolerados por ela, fico intrigada pois é um alimento que parece ser inofensivo mas aqui faz estrago.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Parabéns Nicole!

Há 8 anos, numa segunda-feira tão incerta, de acordo com a previsão médica, nascia minha gatinha 🐈. Frustrando o receio do médico, você era o bebê mais esperto e curioso da UTI, sempre miando 🐱 ...rsrs
Gatinha mansa quando quer conquistar, oncinha brava quando quer brigar por seu ideais, assim é você Nicole, tão frágil e tão forte. Intensa demais para um "mais ou menos" , sempre determinada a conquistar. 
Hoje, agradeço a Deus por sua vida, meu presente lindo. Peço a ele que cuide sempre de você, assim como tem feito desde o dia 17/09/07 , que realize todos os seus sonhos e alivie essa dor e saudade do seu coração, que embora tão pequeno já suporta sentimentos tão grandes.
Ontem à noite você me surpreendeu ao expressar seu sentimento, quando falou da saudade do João e na vontade de comemorar seu aniversário com ele, fiquei imaginando que essa data tão esperada será motivo de alegria e também de tristeza pra você, queria te proteger disso, assim como queria proteger o João da morte, mas isso não posso, até onde posso dou o meu melhor para que você seja sempre feliz, essa é minha meta, te fazer uma criança feliz mesmo em meio a dor e dificuldades.
Parabéns Nicole! Te amo 💗💖💗💖

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Última vez a ouvir

Hoje,15 de setembro, completa 2 anos que ouvi pela última vez a voz do meu pequeno João. Ainda hoje sua voz ecoa no meu coração e na minha mente, dizendo " mamãe se eu morrer você é linda tá? ".  Depois dessa frase tão doce nunca mais pude ouvi -lo. Depois disso foi só a agonia do fim, o desespero da partida.
Saudade sempre!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quase 8 anos

Nicole novamente internada, desde segunda dia 01/09. Setembro,  mês de aniversário da Ni e está sendo também um mês dores. A princípio a internação foi por causa da amônia, que elevou enquanto tentávamos progredir a dieta para 5g de pó de fórmula  msud. Até então estávamos em 3g.
Aproveitando internação,  decidimos ir direto ao valor estipulado,  as 5g do msud. Logo ela já ficou mal e passei a situação para as médicas de Brasília que , ao meu ver, não acreditaram que tão pouco,  tenha feito tão mal. Diarréia e vômitos e a justificativa arrumada, seria uma possível infecção. Então Nic foi cercada de antibióticos e mudamos a forma de dar a fórmula,  em vez de 5g em 1h passamos 5g (para 200ml de água ) em 4 horas e meia; e a medida que um acabava colocávamos outro, dieta contínua.  Na segunda ela já estava queixosa de dor, náuseas e barriga inchada. Na terceira dieta, já muito cansada, aumentei mais as horas a passar a dieta, colocando em 8h.
Como ela tem estado muito ruim de veia, sempre perdendo as punções,  coloco fralda nela durante todo o dia, para evitar ficar levantando e também ela fica ligada a duas bombas de infusão, e por  estar com diarréia constantemente,  sempre acordo durante á noite para ĺimpa la. Então durante á madrugada,  ela chama e levanto muito sonolenta e em meio a penumbra noto o lençol molhado e vermelho.  Acendo a luz e vejo que realmente era sangue e já chamo a enfermagem. Ao mesmo tempo ligo no quarto da vizinha, Dayane, que veio ajudar. Foi um grande susto. Imediatamente parei a dieta, a médica já orientou o hospital como proceder e assim a noite e madrugada passou.
Agora, de dieta zero, corticoide,  antibióticos e muito soro ela está bem. Aproveitam também essa internação para colocação de um cateter portocath,  para aliviar os bracinhos e facilitar as punções.
Não sei explicar mas esses dias estão sendo muito cansativo,  parece que os 3 meses de internação que tivemos não cansou tanto como esses dias. Muito sofrimento nos olhos da minha pequena,  muito medo. Ainda sim sigo confiando que Deus fará o melhor, um milagre. Daqui dez dias minha flor fará 8 anos e o nosso desejo é que ela seja feliz. Ela tem quase 8 anos e uma bagagem de vida maior que de muito adulto. Quase 8 anos e o medo vem nos lembrar do passado.
Talvez essa postagem fique meio perdida e sem sentido, mas sinto um grande cansaço físico e na alma. Hoje ela já chorou muito e deixou claro sua fragilidade, pedido de proteção enquanto seguravamos ela para procedimentos necessários.
Quase 8 anos e que ao chegarmos lá seja só festa, ela merece pois lutou bravamente para alcançar esse dia.

sábado, 29 de agosto de 2015

Não demonstre pena

   O pior sentimento que podemos sentir por alguém é a PENA. Não devemos demonstrar tal sentimento por alguém, principalmente para uma criança. Ninguém precisa desse sentimento, as pessoas precisam de respeito e de amor. Quando ver alguém doente, carente ou em luto, não demonstre pena, demonstre amor, solidariedade ou simplesmente não demonstre nada.
   Ultimamente Nicole tem reclamado e com razão do fato das pessoas olharem pra ela como se ela fosse um objeto de espanto. Ela tem usado a bomba de infusão com mais frequência, ela precisa! Mas quando em locais públicos, as pessoas simplesmente param diante dela e ficam olhando com espanto, algumas partem para o questionamento, outras olham, admiram e saem e sinceramente não sei o que é pior.
   Hoje fomos em um aniversário e foi algo bem chato. Algumas pessoas pararam diante da mesa onde sentamos e fitaram a bomba e Nicole. Crianças que  não tiveram nem um pouco de sentimento de SOLIDARIEDADE para com ela, olhavam de lado, cochichavam e em determinada hora tive que cruzar os braços e fitar meus olhos na criança. Gente, educação vem de casa e cabe aos pais ensinar as crianças a serem solidárias e educadas, além de tudo, ser solidário também é ser educado. Nenhuma criança, nem a que dizia amiguinha dela tirou 10 minutos para ficar com ela na mesa, já que ela estava presa a bomba de infusão. Isso doeu muito e mim , doeu no Roger. Por sorte ela tem um pai exemplar, melhor não poderia ter. Ele distraiu , disfarçou aquela situação chata e fez com que ela sorrisse o tempo todo que ficamos lá.
    Acredito que crianças de 4 anos em diante tem sim condições emocional e mental para serem leais, amigas, solidárias, sentir empatia e também para serem maldosas. Nicole e João desde tenra idade sempre foram criança meigas e bondosas. Basta que nós pais ensinemos nossos filhos.
   Hoje senti muito não poder proteger minha filha disso, da ignorância do mundo. Ela já havia dito que não queria ir a festa e ainda sim insisti e ela foi. Ela não precisa de que ninguém sinta pena dela. Nicole é uma menina linda, inteligente, com muito a ensinar. Ela no momento está precisando mais da bomba de infusão para ficar bem nutrida sem riscos, mas isso não faz dela uma criança merecedora de dó. Há pessoas que usam óculos para enxergar, outras aparelho auditivo , outros muletas, outras cadeira de rodas e mesmo assim são pessoas felizes e iguais. 
    Lição de hoje: 
  • Nicole possui uma inteligência emocional melhor que a minha.i
  •  Roger é um pai nota mil  
  • E eu? Sou mãe Leoa, que peguei minha filha e vim embora pra casa. 
    Não sei  se fui correta mas é isso que sinto e que sentimos diante do olhar de espanto das pessoas. Pode olhar, pode! Pode perguntar? Pode! Mas faça de forma natural e sem a famosa palavra, COITADA!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Saudade do João


  Dia 31 de agosto sempre será um dia especial em minha vida, o dia em que meu primeiro amor chegou a minha vida. O dia que fui presenteada com o maior tesouro que uma mulher pode ter, meu filho. Com ele aprendi a ser mãe, passamos por grandes desafios e a cada novo desafio fui amadurecendo e aprendendo a superar.
  Foram 8 anos bem vividos, não foram fáceis mas foram especiais em cada momento;  a cada ano passado era como uma batalha vencida. Quando enfim, com 8 anos, João foi morar no céu e não vejo como uma batalha derrotada mas sim como um troféu para uma criança que lutou bravamente, sem nunca reclamar ou revoltar e assim, Deus o levou para um local melhor, local onde a fome e a dor já não  existi para ele. Ele sonhava tanto com o céu, com o término de sua casinha, construída na base da oração. E então esse dia chegou, sua casinha ficou pronta e ele merecidamente foi descansar nela.
  A fé é algo incrível, é um dom, nem todos conseguem desfrutas dos frutos da fé. Ele conseguiu. Sejamos sempre simples ao pensar e viver, sejamos praticante da fé e assim não seremos rendidos ao desespero e a dor. Que possamos ser mais crianças ao olhar para vida. 
Muita saudade do meu precioso João.  As vezes fico imaginando como seria aos 9, agora aos 10... Penso se quando a adolescência chegasse, se a doçura permaneceria ou se toda mudança da fase traria mudanças. Penso, penso e penso.... Ele veio , viveu 8 anos e mostrou como ter gratidão, carinho, companheirismo e como ser forte, missão cumprida, voltou para Deus e por isso estou grata, pela privilegio de ser mãe do João.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dias difíceis, vão passar!

  Após as últimas idas a Brasilia, não tive tempo de atualizar o blog pois desde então Nicole tem vivido altos e baixos , não ficando 100% há um tempinho. Depois que foi liberada a introdução de alguns legumes , coloquei apenas alguns , ela tem estado sempre no soro (venoso), sempre com diarreia, cabelo caindo muito, perdendo peso, assaduras, além de irritadiça; sem falar nas elevações da amônia, queda de hemoglobina mesmo repondo com noripurum venoso.

  Optamos por retirar as novas introduções e manter os já usados anteriormente, porém aumentando a quantidade da fórmula e mesmo assim ela continuou elevando amônia, hemoglobina ficando em 9, diarreia e tudo mais. Sempre ficando no soro em domicílio mas semana passada ela já mais debilitada, precisou passar dois dias no hospital para melhor assistida. Durante esses dias ela ficou em dieta zero e foi ficando melhor. No hospital ela teve um episódio de desmaio, talvez fraqueza não sei. Agora em casa, ela mantida no soro para evitar nova queda no estado geral. Nesse período voltamos a fórmula na quantidade anterior, mantendo as papinhas, suco , maizena (uso a marca), uma rodela de tomate e 2 azeitonas, assim tem estado bem, ainda fazendo diarreia , agora usando enzimas digestivas , vou explicar abaixo.

  Por conta das diarreias, dores, pigarreadas fizemos uma endoscopia e colonoscopia e o resultado foi meio desanimador. Refluxo, duodenite moderada, hiperplasia linfoide folicular moderada/acentuada, talvez isso possa causar as instabilidade intestinal, íleo sem as vilosidades e por isso tudo vamos usar novamente as enzimas digestivas creon.
  Estamos em agosto e mês que vem ela fará 8 anos, idade que mexe com a gente por toda experiência vivida com o João, mas cremos em Deus que o futuro dela será diferente, mesmo com todas as dificuldades ela terá as chances que o João não teve, acho que estamos no caminho certo, acho pois tudo parece tão confuso no momento. Mantendo a fé em Deus que até aqui tem cuidado da Nicole e providenciado tudo que ela precisa.
  Temos passado por dias bem difíceis e cansativos , mas em todo tempo Deus é muito bom com a gente e por isso sei que esses dias difíceis vão passar. Nossa vida tem sido um milagre, o milagre da superação e fé. Já levamos tantas pauladas da vida, tantas rasteiras mas em todo tempo posso sentir o cuidado de Deus com a gente e assim sei que os dias difíceis vão passar!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Devemos sempre olhar para o lado

   As vezes criamos tantos motivos para não sermos felizes,  motivos para reclamarmos da vida e jamais valorizar as oportunidades do hoje. Tem momentos  que a frustração aperta, a saudade castiga e o medo perturba e nesses momentos Nicole começa a reclamar,  sento com ela e peço para que em vez de olhar para as limitações que olhe para as possibilidades, em vez de reclamar a demora do papai para chegar em casa, que agradeça pelo trabalho que ele tem pra ir, em vez de reclamar que estou enrolando na cozinha , que agradeça a comida que temos para preparar e que se ela está entediada de ficar em casa vendo televisão é porque graças a Deus ela tem um  lar para ficar e uma televisão para ver. Sempre tentando mostrar pra ela que apesar de tudo,  somos abençoados e privilegiados a cada amanhecer.
   Não tenho tudo que quero, mas tenho tudo que preciso e condições de correr atrás do que preciso, seja ela condição física ou mental  (conhecimento ).
Voltando a Nicole, ela tem aprendido a olhar pra outro lado da situação.  Observo muito suas atitudes e comportamentos e nesse final de semana pude notar isso.
   Depois das introduções,  parece que algo não ficou tão bem e ao medirmos a amônia e ela estava alta,  foi preciso deixa lá de dieta zero, com o suporte de um soro glicosado. Ela pediu pra ir na casa da vovó e pegamos a bomba de infusão e fomos, mesmo sabendo que ela teria que ficar parada no sofá.
   De repente vejo ela, toda habilidosa,  com a bomba na cadeirinha,  empurrando de um lado para outro e brincando. Ela não permitiu que aquela situação a impedisse de ser criança e nesse momento senti que ela está aprendendo a olhar para o lado e enxergar as possibilidades que a  vida oferece a cada novo dia. E é bem isso, devemos tirar o problema do foco e olhar mais e mais para os lados, as fezes na nossa frente só está o problema, roubando a cena e tapando a visão.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Dificuldades para seguir o tratamento

  Depois de todo sucesso conquistado em Brasília e Nicole melhorando gradativamente, agora nos deparamos com a dificuldade em seguir o tratamento, uma dificuldade que é gerada por erros nas informações contidas nos rótulos.
  Recentemente houve uma campanha do grupo da alergia para que constasse nos rótulos os alergênicos e foi demorado e suado mas conseguiram juntamente a Anvisa que as indústria elaborassem melhor os rótulos. Porém essa conquista parece que não se estende a tabela nutricional e isso tem sido a maior dificuldade na hora de comprar industrializados.
   Há uns dias descobri, por alerta de uma outra mãe, que a famosa bolacha schar zero proteínas tinha sim 1, 6 de proteínas. Por sorte sem muitos estragos no tratamento. Mas ontem fui procurar algo que desse pra inserir na dieta da Ni e cai em mais uma pegadinha de rótulo. Uma bolacha de milho, corn cakes, da Kupiec, no rótulo colocado pelo o importador (Eximbiz), constava 0,0 proteínas em 30g ou 7 unidades, mas no rótulo colocado pelo ''produtor'' da bolacha, ela tem 11,1 g de proteína em 100 g de bolacha, 0,5 em cada unidade totalizando 3,5 g de proteínas em 7 unidades. Uma diferença muito grande para falarmos em valores aproximados.

  É revoltante não poder confiar num rótulo traduzido a fim  de facilitar mas que na verdade só induz ao erro. O erro na compra de um produto expõe a vida da pessoa ao risco de prejudicar a saúde, gera uma gasto desnecessário além da frustração. Quando percebi o erro, a expectativa já havia sido criada e logo veio o choro. Ultimamente ela tem chorado muito, na verdade sempre foi muito irritada e chorona mas havia dado uma trégua e agora voltou a irritabilidade e choro em demasia. Além de todos outros fatores ainda vem as decepções com o bendito rótulo para colaborar com a cota de choro do dia.


Liguei na Eximbiz, que nem oferece um 0800, para reclamar do erro e nem deram moral, uma atendente disse para enviar por e-mail, senti como se falasse com uma porta. Liguei na Anvisa e pediram para fazer a reclamação pelo site e/ou diretamente na Anvisa em Brasília. Como ela consulta em Brasília , creio que darei uma passada lá.
  Difícil também porque no Brasil quase não há alimentos hipoproteicos , esperando pela promessa da CMW que em breve  estará disponibilizando no site alguns produtos. Até lá só desejo rótulo verdadeiros...
  Falando da Nicole, ela está bem, tentei dar uma bolacha com pouquíssima proteína porém com leite de vaca e ela acabou não tolerando e logo veio dor na barriga, febre e infecção. Depois veio herpes labial em consequência da imunidade que abaixou e assim esqueceremos todo e qualquer contato com leite de vaca, Nan ou algo semelhante por um bom tempo. A choradeira, essa tem sido algo delicado, não sei dizer se é normal, normal pra ela, normal pra idade, fome, tristeza ou da doença; só sei que chora ao acordar e segue até na hora que dorme. É cansativo , estressante e liga o alerta.

  Mas embora a novela relatada acima , ela está prosseguindo, um passo por vez e sei que logo chegaremos a mais um sucesso. E por hoje , agradeço a Deus, pelas conquistas até aqui e pela fé de que muitas estão por vir.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Tratamento com sucesso!

Em toda nossa trajetória com a Nicole, nunca vivemos um período tão promissor quanto está sendo agora. A cada retorno na geneticista e nutricionista , voltamos com conquistas.  Sexta voltamos em DF e tomando o MSUD, mamando maizena com calogen , suco sem açúcar( desde a última consulta foi restringido o açúcar por causa da insulina) e com essa dieta Nicole ganhou mais 500g. Estamos vendo a curva do peso subir, as médicas ficaram encantadas com o avanço dela. Porém enquanto o peso sobe o tamanho estagnou e a curva de altura começou a descer. Ano passado quando  Ni iniciou o tratamento ela estava com 15kg e hoje está com 17,500kg e a média de ganho de peso foi maior esse mês.
Diante do sucesso foi liberado papas salgadas, todas devidamente pesada de acordo com as proteínas. Ela ficou toda empolgada e quis comer no restaurante e então na volta de Brasília para Goiânia paramos e ela pode servir um prato de salada ( alface, tomate e azeitonas). Tudo com muita cautela e fé para que também resulte em sucesso. Além da salada colocamos abóbora cabotiá, cozida com tomate e couve, resultando num caldo muito saboroso.  Também foi acrescido novo complemento de acordo com exames e pensado em usar novamente as enzimas já que ela tem perdido gordura nas fezes ( má absorção). Mesmo com isso estou muito confiante.
Além das consultas de sempre, passamos também pela neurologista que após uma avaliação minuciosa disse que ela está bem em todos os quesitos, pediu novos exames por causa das mioclonias que após o msud, cessaram, mas mesmo assim ela quer ver se houve alguma ''sequela''. Manteve a medicação que já estávamos usando para acalma la.
Durante esse período que antecedeu a consulta ela elevou a amônia poucas vezes e nada muito alto, sendo que uma vez foi por ter febre. As hipoglicemias diminuíram também.


Algumas pessoas questionam a rotina alimentar dela, então vou detalhar:

06 h Dieta ( MSUD + MALTODEXTRINA+ TCM)  por gastrostomia em bomba de infusão 
06 h Mamdeira (2 conchas de maizena + 1 pitada de cremogema + 3ml de calogen)
8 h  1 Bolacha SCHAR ( fette croccanti )
10 h Pretzels schar ( 15 unidades) + 100 ml de suco ( yakutl maçã / sem açúcar)
12 h Dieta semelhante a primeira em bomba de infusão
12 h salada ou o caldo de abóbora
13 h mamadeira semelhante a primeira
15 h 1 bolacha + suco
18 h 2 bolachas schar
18 h Dieta semelhante a primeira em bomba de infusão
19 h salada ou caldo de abóbora
20 h papinha SO nestle
22 h Mamadeira
00 h Dieta semelhante as outras em bomba de infusão

PS: Antes das dietas tem as medicações.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Conquistas

ATUAL / ANTES DO TRATAMENTO
   Olhando para trás,  há maios ou menos uns 6 meses e volto ao hoje e percebo a grande diferença na saúde da Nicole. Tive tanto medo de perde lá e olhando ela crescendo e sendo feliz sinto me uma vitoriosa. Sei bem que a luta não chegou ao fim,  viver é uma eterna luta mas por hoje,  só pelo agora, sinto uma grande alegria e uma enorme gratidão. Gratidão diária!
   Gratidão primeiramente a Deus que nunca me abandonou e por muitas vezes pedi colo a ele, mesmo não vendo, não sendo palpável mas por intermédio da minha fé, pedia colo para passar por essa luta e sentia me aconchegada em seu colo. Gratidão aos parentes que antes eram distantes e agora estão bem próximos, além da ajuda o tivemos o prazer da proximidade , do contato, Nicole amou conhecer as primas grandes e os vários primos pequenos. Gratidão aos amigos, os antigos que se mostraram fiel e aos novos que somaram aos já existentes. Gratidão aos que não conheço mas não consigo esquecer , pois esses também não me conhecem mas foram  e são sensível ao nosso problema. 
   Mesmo que amanhã algo desande, serei feliz pelo dia de hoje. Não há como não ser, basta olhar a vida dentro dos olhos da Nic. Meu amanhã está nas mãos do criador, ele está providenciando o melhor para minha família. 

domingo, 26 de abril de 2015

Companheiros

 

     E Deus colocou mais um João na minha vida ; João Pedro, filho da Ludimilla, companheiro de metabolismo, como diz a médica, também de viagem para Brasilia e de muitas outras situações. 
     O carro vai apertadinho , com tantas cadeirinhas que a mãe do João quase gruda na porta winkcheeky mas no final da viagem vale a pena todo aperto e cansaço. Assim como a Nicole , João também está caminhando para o melhor, a cura a gente sabe que não tem, mas sabemos que eles podem ter qualidade de vida com o tratamento.
    Divindo as dores, as alegrias e as expectativas, assim um encoraja o outro a seguir, a dor e o medo não somem mas saber que não estamos só faz toda diferença.


Biscoito zero proteínas ( 3 ingredientes)




     Partindo da receita do bolo de cenoura, consegui chegar nessa receita, biscoito tipo quebrador, com apenas 3 ingredientes. O bolo de cenoura, apesar de muito saboroso , não caiu tão bem para Nicole e então a cenoura foi retirada e a fim de evitar uma decepção maior pela retirada do bolo, fui tentando fazer uma variação da receita e até consegui fazer o bolinho sem a cenoura, usando a maizena, becel e açúcar, e deu certo!
      Ontem a noite vi uma receita de quebrador usando 3 ingredientes e um deles era a maizena, outro margarina e o difícil leite condensado. Pensei no que era permitido e fiz as substituições, mantive a maizena, margarina uso a becel e troquei o leite condensado pela glucose de milho, e no final deu certo! A quantidade correta não sei, por ter feito substituições e reduzido a receita , mas foi mais ou menos assim:


  • 50 g de Becel
  • 100g de glucose de milho
  • Maizena até a massa desgrudar da mão
Essa é mais uma receita que serve para alérgicos a leite, ovos e intolerantes ao glúten.

''Há momentos em nossa vida que vale mais a criatividade para lidar com as dificuldades , do que a força física para enfrentar (bater de frente).''
glucose de milho