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Efeito de flutuação de texto ...:::JOÃO VITHOR E NICOLE:::...
Fórmulas especiais gratuíta é um direito da criança.
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domingo, 16 de fevereiro de 2025

"Inclusão ou Exclusão? Os Desafios Reais de Ser Autista em um Mundo Pouco Preparado"








 Falamos tanto em inclusão que, às vezes, parece que todas as dificuldades relacionadas ao autismo foram extintas. Mas uma dúvida me vem à mente: será que os profissionais que lidam com autistas realmente sabem como agir com eles?

Muitos conhecem a teoria sobre o que é o autismo, mas compreender os desafios vividos por nós, autistas, é algo que só nós realmente sabemos.

Independentemente do nível de suporte, todos os autistas enfrentam dificuldades para se inserir na sociedade. O autista com nível 3 de suporte tem constantemente sua capacidade de sentir e evoluir colocada em dúvida, recebendo olhares de pena que, em vez de respeito e acolhimento, reforçam estereótipos. Já o autista com nível 1 ou 2, embora consiga se comunicar verbalmente e, muitas vezes, não precise de assistência constante, ainda espera a validação da sociedade para seu diagnóstico. Ele enfrenta olhares críticos de quem não entende que, mesmo verbalizando, ainda possui limitações – além de carregar rótulos que o diagnóstico não conseguiu eliminar.

Autistas são sempre questionados: ora sobre sua capacidade, ora sobre a legitimidade de seu diagnóstico.

Outra grande dificuldade é a expectativa de que o autista não possa crescer. À medida que saímos da infância, parece que somos obrigados a agir como pessoas "normais", como se nossas particularidades desaparecessem com o tempo.

Essas situações não ocorrem apenas nas escolas, shoppings ou dentro da própria família. Elas também acontecem dentro da comunidade autista e até em clínicas especializadas no atendimento de autistas.

Recentemente, passamos por situações que reforçaram esses sentimentos em mim.


hematoma após crise
Em uma clínica onde Nicole faz terapia, enfrentamos um episódio difícil. A Unimed impôs a exigência de biometria facial, e a recepção da clínica não estava preparada para lidar com autistas de diferentes idades e níveis de suporte. Como resultado, a situação gerou um grande desgaste. Nicole não aceitou tirar a foto, pois considerou que não era necessário (devido à sua rigidez cognitiva) e, mesmo após várias tentativas, continuou se recusando. A falta de acolhimento da recepcionista agravou a situação, tornando Nicole ainda mais agitada. Em um momento de frustração, ela xingou a atendente, chamando-a de "olho torto", uma referência ao olhar de desprezo que sentiu.

A atendente, em vez de lidar com a situação com empatia, levantou-se de imediato e, num tom desafiador, questionou do que estava sendo chamada, demonstrando total despreparo para lidar com a rigidez cognitiva de Nicole. Diante disso, Nicole chorou, tentou sair correndo, mas a porta estava fechada. Em desespero, começou a bater na porta e a se autoagredir. 



Fui até a Unimed relatar que essa exigência colocava a segurança da minha filha em risco. Somente então informaram que a biometria facial não era obrigatória.

Infelizmente, como não consegui todas as terapias na mesma clínica, os atendimentos são divididos entre diferentes locais. Mais recentemente, passamos por outra situação decepcionante.

Durante uma sessão de psicomotricidade, o profissional estava com cefaleia e optou por fazer uma sessão mais leve. Para isso, juntou Nicole com outra paciente atendida por outra terapeuta. Nesse dia, Nicole havia levado suas maquiagens para mostrar à psicóloga, e decidiram fazer uma atividade de maquiagem entre as duas meninas.

Em determinado momento, a outra menina derrubou uma maquiagem de Nicole. Ao final da sessão, minha filha me contou que, na verdade, a terapia não aconteceu, pois passaram o tempo todo apenas se maquiando. Além disso, ela se sentiu frustrada porque seu produto caiu e que, ao expressar seu descontentamento, apenas riram, sem que houvesse um pedido de desculpas.

Uma mãe lutando: é isso que sou todos os dias!

Naquele momento, fui até a recepção e informei que gostaria de ser avisada caso o profissional não estivesse em condições de atender. Afinal, eu assino uma guia de psicomotricidade, não de maquiagem. Também procurei a terapeuta responsável pela outra garota e solicitei a reposição do produto perdido, pois a menina estava sob sua supervisão. Além disso, questionei a clínica sobre a falta de comunicação, já que dois fatos exigiam que eu fosse informada: a não realização da terapia e o dano ocorrido durante a atividade. Ambas estavam sob a supervisão dos profissionais da clínica, e era responsabilidade deles garantir que tudo ocorresse de maneira adequada.

Desde o primeiro momento, durante a anamnese, informei que também sou autista e que tenho dificuldades em ambientes ruidosos. Naquele dia, já estava na clínica há mais de uma hora, em um local barulhento, com muito estímulo sensorial.

A mãe da outra menina ficou ofendida, e o terapeuta veio até mim em tom alto, interrompendo-me, sem me deixar falar. Ele tentou colocar a culpa em Nicole, argumentando que ela deixou o produto aberto. Mas o fato é que ele não teria caído se a outra menina não o tivesse retirado do lugar sem pedir. No meio desse caos, a mãe da outra paciente disse, com desprezo, que a filha dela não deveria "se misturar com essa gentinha", referindo-se a nós.

No dia seguinte, o atendimento foi hostil. Durante toda a sessão de fisioterapia, percebi que tratavam Nicole de maneira fria e distante. Diante dessa situação, pedi a troca de profissional. Para completar o desgosto, a terapeuta se recusou a atender Nicole, em um ato de apoio aos colegas

Como uma clínica voltada para autistas não consegue conduzir uma situação como essa? Nicole e eu somos autistas e também temos TDAH. Temos um julgamento rígido sobre certos temas e, naquele momento, estávamos lidando com uma frustração extrema, sem conseguir regular nossas emoções. Estávamos diante de uma sobrecarga sensorial: uma recepção ruidosa, várias lâmpadas acesas e duas piscando, prestes a queimar. E, ainda assim, eu segui agindo como mãe, lutando para proteger os direitos da minha filha.

Para aquela equipe de fisioterapeutas e para aquela mãe, somos apenas "a gentinha". Mas somos a "gentinha" que sai de casa todos os dias para que Nicole possa fazer suas terapias. Só eu sei o quanto fico esgotada de permanecer em um ambiente onde crianças gritam, batem palmas sem parar e muitas pessoas falam ao mesmo tempo.

Não quero que o autismo seja uma muleta. Mas também não quero que ele seja ignorado. Não fiz nada que considero errado. Se fosse Nicole quem tivesse causado o prejuízo, eu me desculparia e ressarciria a outra pessoa. O que eu quero é que os profissionais que atendem crianças autistas compreendam que elas vão crescer. E que, diante de gatilhos, podem reagir de maneira mais primitiva, expressando suas emoções sem filtros.

Mas, sem compreensão, sem acolhimento e com o rótulo de "gentinha", seguimos em frente.

E quando eu penso que a situação não poderia ficar mais desgastante, surge mais um obstáculo.

Nesta sexta-feira, o médico dono da clínica me abordou na recepção e me levou para um consultório, acompanhado da administradora da clínica e de uma terapeuta. Lá, ele informou que a biometria facial seria obrigatória para a realização das terapias. Respondi que isso seria um problema, especialmente depois do ocorrido na sessão de psicomotricidade.

Ele insistiu, afirmando que os profissionais não seriam pagos sem a foto de Nicole. Questionei sobre o e-mail que recebi da ouvidoria informando que a biometria não era obrigatória, mas ele continuou pressionando.

De repente, ouvi murros na porta. No mesmo instante, soube que era Nicole. Ela ficou nervosa porque ele me separou dela e já estava agitada antes mesmo da minha entrada no consultório. A técnica de enfermagem tentava contê-la, mas a situação rapidamente saiu do controle. O médico tentou falar com ela, mas Nicole gritou e saiu correndo em direção à rua.

Nesse momento, lembrei aos três profissionais presentes que qualquer dano causado pela insistência na biometria seria responsabilidade da clínica. Nicole tem resistência a essa exigência, e as tentativas de forçá-la resultam em crises que podem trazer sérios riscos à sua saúde. Ela tem osteoporose, faz uso de anticoagulantes, tem um cateter central e uma gastrostomia – todos eles suscetíveis a complicações graves caso sejam removidos abruptamente durante uma fuga ou tentativa de contenção.

É doloroso pensar que tudo isso aconteceu em um ambiente que deveria estar preparado para lidar com autistas. Se isso ocorre em um local especializado, o que esperar do resto do mundo?

domingo, 2 de fevereiro de 2025

"Resiliência e Luta: A Jornada de uma Mãe Pelo Bem-Estar da Filha"

 



Depois de uma semana intensa, onde revivi em minha mente alguns acontecimentos dolorosos e precisei lidar com novas situações semelhantes, como se o destino tivesse me preparado uma grande ironia, também precisei retornar a um lugar onde jamais quis voltar e reencontrar pessoas que preferia nunca ter conhecido. Diante disso comecei a refletir sobre minha trajetória até esse exato momento, percebendo o quanto precisei silenciar alguns sentimentos e memórias dentro de mim para continuar cumprindo o meu propósito nessa minha existência. 

Minha história é marcada por acontecimentos intensos, alguns deles extremamente cruéis, tantos que seria impossível descrevê-los em um único texto, mas que de alguma forma, cabem dentro de mim. Cada um desses momentos contribui para a construção da pessoa que me tornei, pois o ser humano vai se moldar a cada experiência, seja ela triste ou feliz.

Ao longo da minha caminhada, conheci muitas pessoas, algumas boas, outras nem tanto. Algumas abençoaram minha vida, enquanto outras me prejudicaram. Encontrei em algumas lealdades, compreensão e respeito, enquanto de outras recebi julgamentos e traições. Muitas entraram na minha vida, algumas permaneceram, mas a maioria se foi. No entanto, com todas elas aprendi algo, e talvez por isso tenha me tornado mais seletiva ao me relacionar (fazer amizades). O que já era difícil, agora parece quase impossível.

Quando percebemos que todos carregam dentro de si uma escuridão, apenas esperando uma oportunidade para emergir, o mundo se torna um lugar assustador.

Com a necessidade de Nicole ser assistida por diversos profissionais de saúde, tenho enfrentado um grande desgaste devido aos desafios do convívio com eles. As barreiras são constantes, trazidas por profissionais que desconhecem minha verdadeira história e se baseiam apenas em recortes parciais e distorcidos, onde enxergam apenas as vezes em que precisei reagir e defender minha filha.

É exaustivo ter que tratá-los como frágeis cristais, cujas emoções adoecem tanto que contaminam o ambiente. Não se pode dar uma orientação sem ferir egos, e fazer pontuações necessárias se torna um desafio, pois não toleram ser advertidos sobre seus erros. O cenário se agrava ainda mais quando se solicita à empresa responsável que corrija essas falhas.

Não se enganem: a grama do vizinho não é mais verde por sorte, mas porque é cuidada! Minha realidade não foi construída pelo acaso, mas pela minha determinação inabalável. Tudo o que conquistei apresentei a Deus em oração e, depois, fui atrás, passo a passo. Nicole está bem agora, mas, segundo os médicos, ela sequer deveria estar aqui. Minha filha é um milagre, fruto de fé e luta!

Tudo o que poderia proporcionar a ela um bom desenvolvimento emocional, mental e físico, eu busquei. Ela segue uma dieta extremamente difícil, que exige dela e de nós uma resiliência diária. Suas terapias drenam minhas energias, e as idas e vindas frequentes a Brasília, somadas a outras abdicações necessárias, são parte do processo. O que vocês enxergam hoje não é fruto de mágica, mas da persistência de uma mãe que nunca desistiu.

Não me peçam para fechar os olhos para erros que podem comprometer todo o progresso da minha filha. Não esperem que eu tolere impaciência e falta de empatia de quem sequer percorreu 5% dessa jornada conosco, de quem nunca segurou minha mão nos momentos em que a única certeza era a dor e morte. E não, eu não aceito que rotulem minha filha com adjetivos que cabem muito mais a quem fala do que a ela, de  quem sequer se deu ao trabalho de pesquisar sobre as reais características do autismo.
 
É muito cômodo basear-se em apenas algumas horas de convívio para rotular, ofender e tentar modificar algo que tem dado certo, tudo para satisfazer o conforto de quem está ali apenas para dar continuidade ao tratamento.

É exaustivo ter que constantemente chamar o outro à reflexão, incentivando-o a olhar para si mesmo e a praticar a empatia. Estimular a consciência no outro não é uma tarefa fácil.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Meus medos

 Hoje irei escrever sobre um assunto, difícil. Sei que, o que falarei aqui, poderá repercutir, também soará estranho, mas nem tanto, para os que sabem de perto o que estamos vivendo. Os que acompanham mais de longe, talvez pareça uma atitude radical, não poderei ser muito descritiva mas preciso deixar registrado.

Inicialmente, quero deixar registrado que meu esposo e eu vivemos muito bem, que nossa relação é bem consolidada, nossa família há muito passa por dificuldades mas nunca foi dificuldades de relacionamento entre mim e o meu marido. Ele é e sempre foi um excelente marido e um pai excepcional. Também deixo registrado que mesmo diante de tantas dificuldades que enfrentamos para manter o tratamento que é necessário para preservar a vida da Nicole, mesmo assim, não temos ( meu marido e eu), planos de auto-extermínio. Não está em nossos pensamentos, deixar a Nicole desassisada, órfã de pai ou mãe.  Querem saber o motivo desse registra??? Segue meu relato de desabafo e também explicação.

Desde o ano passado, estamos tendo problemas maiores com a empresa e a gestão, que presta o serviço de home care para Nicole. Inclusive por várias vezes me senti coagida e assediada ( assédio moral) com os comentários durante as visitas médicas. Não foi uma única vez, foram várias vezes e na tentativa de fugir dessa violência psicológica e moral, passei a evitar as visitas médicas. Então resolvemos dar um basta na situação, entrando novamente judiciário. Esse profissional deixou de prestar assistência a Nicole e passei a sentir mais segurança para receber a visita médica pediatra.
Além do fato acima, tivemos outros problemas relacionados a assistência de enfermagem, erros de medicação ( dose errada e a falta de administrar), omissão, negligência, imprudência,  imperícia, relatórios de enfermagem adulterados e tudo isso, sendo pontuado a medida que ocorria. Nada foi feito para impedir ou corrigir as falhas, nenhum ''sinto muito'' pelos danos causados a Nicole. Diante de várias falhas também registrei uma denúncia no Coren.

Após fazer uso da minha obrigação de mãe e tentar proteger a Nicole contra toda forma de negligência e violência, começamos a ter retaliação por parte da gestão responsável pela prestação do atendimento. Para fazerem uma defesa, usaram muitas mentiras, tentaram me denegrir com relatórios e conversas de whatsapp forjadas. Durante a audiência informei que tinha a filmagem do fato relatado e que apresentaria e tive um prazo para apresenta-la e durante esse prazo ocorreu situações a fim de dificultar essa apresentação. Vale ressaltar, que tinha e ainda tem, profissionais na minha residência que fica nos monitorando e passando o relatório para a gestão. Quando no último dia de prazo para entregar a filmagem, fui ao Coren e senti muito medo do que pudesse ocorrer comigo durante. trajeto.

Após tudo isso houve retaliação, mais danos a Nicole e temos os vídeos e documentos de como o atendimento prestado da forma como estão prestando, está desestabilizando a Nicole. Então ontem, dia 04/04/23, compareci bem cedo ao local onde gerência o atendimento do home care, não é na sede do plano, para mais uma vez lutar pela saúde da Nicole, pedir que respeitem o relatório médico. Recebi olhares duros, até uma funcionária tocou em mim (um empurrão suave), na tentativa de me colocar para fora do elevador. Senti medo mas permaneci ali até por volta de 11h.
Mais tarde, precisei retornar ao mesmo local, para entregar as receitas médicas da Nicole e durante a entrega a atendente disse que a farmacêutica queria falar comigo e como ela estava demorando a descer, e a sala onde estava aguardando era muito fria, por causa do ar condicionado, resolvi ir até a entrada do estacionamento, na recepção de vacinas e foi quando encontrei o profissional da pediatria , aquele que precisei acionar o judiciário para cessar os assédios morais. Ele ao me ver, caminhou até mim e disse uns absurdos, dentre eles que viria tudo contra mim, pelas maldades que estou fazendo, que eu já estava sendo castigada com minha filha sofrendo... Novamente fui coagida e me senti ameaçada e humilhada naquela recepção. Tudo isso na recepção, na parte de vacinas, com clientes e crianças. Senti muito medo, sai de lá as pressas e não tive coragem de voltar para esperar a farmacêutica. Só após chegar na esquina, que parei para ligar para meu esposo e chamar um uber.

Diante de tudo isso, temo pela minha vida e da minha família. Como informei acima, estamos bem e não temos nenhuma patologia que curse com a morte de imediato. Não temos intenção de ceifar nossas vidas e Nicole, embora necessite de tratamento, só corre risco de morte se não administrarem corretamente os medicamentos, falta ou erro de dose. Nicole tem tanto medo, que quando é algum profissional diferente, ela nem dorme direito. Ela tem medo de morrer.